Teoria dos Signos

RESENHA


Teoria dos Signos

FIORIN, José Luiz. Teoria dos signos. In: Introdução à Lingüística. FIORIN, José Luiz (org). 5 ed. São Paulo: Contexto, 2006.p.55-74

 

Teoria dos Signos: in: Introdução à Lingüística, de José Luiz Fiorin oferece informações precisas sobre a Teoria dos Signos e suas expressões lingüísticas.

Num primeiro momento, o autor explica a perspectiva de que os signos são uma forma de apreender a realidade e que esta realidade somente possui existência para os homens quando por eles é nomeada. Entretanto, conforme o autor, os signos são etiquetas que os homens colocam nas coisas, ao propor substituir as palavras, que variam de língua para língua, por objetos que servem como meios de comunicação, assim como faziam os sábios de Balbinarbi.

N a seqüência, o autor afirma que esse sistema imaginado pelos sábios não pode funcionar absolutamente, pois um objeto não é capaz de exprimir tudo que uma língua pode expressar. Se assim fosse, não seria possível, a construção dos dois mecanismos principais que dão conotação: a metáfora e a metonímia.

Prosseguindo, o autor fala que a língua não é apenas um sistema de amostragem. Para ele, a lingüística é uma atividade simbólica em que as palavras criam conceitos e estes conceitos ordenam a realidade. As palavras categorizam o mundo formando um sistema autônomo que independem do que elas nomeiam, e que pode diferir também de país para país de cultura para cultura.

Finalizando a primeira parte, Fiorin mostra que o valor de um signo é dado por outro signo e um que um signo pode ter várias dimensões e seu significado é composto de traços funcionais como morde/não morde e qualificacionais como corpo grande/corpo pequeno, etc.

Na seção “Composição e valor dos signos”, o autor aponta que a linguagem verbal não é a única existente, há também outros tipos, dentre eles linguagens pictórias, gestuais, etc, e que faz-se necessário portanto ampliar a definição de significante podendo-se afirmar que significante é o veiculo do significado, que é o que se entende quando se usa o signo.

Faz também referência a Saussure, cujos estudos foram um marco na área de linguiística. Saussure imprimi noção de valor ao signo. E neste contexto reside a máxima de

Saussure de que na língua não há senão diferenças. Assim um signo lingüístico se define por seu caráter negativo, advindo de sua relação com os outros signos naquilo que eles não são, tanto no que se refere ao significante quanto ao significado do signo. Um exemplo do conceito saussuriano de valor pode ser obtido a partir da comparação do português com o grego, conforme o uso do plural: “O grego tem três números, o singular, o dual e o plural. Assim, o plural nessa língua tem um valor diferente do plural em português” (Fiorin, 2003: 58). Ou seja, para o português o plural significa “mais de um”, enquanto para o grego, “mais de dois”.

Nesta mesma seção, o autor trata o signo podendo ter várias dimensões, ou seja, do signo mínimo e do morfema. Em outras palavras Fiorin com base em Hjelmeslev, mostra que no ato de falar produz-se significação não somente quando são enunciados os signos mínimos, ou seja, os morfemas, como também quando se produz frases ou textos. Assim conclui-se com o autor que toda produção humana dotada de sentido é um signo.

No tópico, “A Característica do signo Lingüístico” o autor foca basicamente questões teóricas que envolvem o estudo do signo lingüístico focando dois aspectos essenciais: a arbitrariedade do signo e o caráter linear do significante. O autor expõe as premissas básicas da composição e valor dos signos. Explora também temas como traços funcionais, signos e arbitrário. Em tal tópico, verifica-se principalmente o conceito de significado e significaste, onde o caráter do significaste lingüístico faz com que se desenvolva no tempo. Ademais, existe uma linearidade do significante em detrimento da disposição espacial.

Em "Denotação e Conotação" Fiorin apresenta alterações de significados com grande enfoque ao signo, ou seja, a junção de um plano de expressão a um plano de conteúdo. Para o autor, a forma usada é a existência da motivação da língua. Existem regiões de sintaxe e morfologia aparecendo muitas vezes. O tópico demonstra que o autor aufere grande preocupação com o jogo do dicionário e essencialmente com a poesia, em que a motivação do signo aparece com maior desenvoltura. O autor conclui com a apresentação de dois mecanismos principais que dão conotação que são: a metáfora e a metonímia. A metáfora que foca mais a relação de semelhança, e a metonímia onde existe uma interdependência de um a outro, onde usa-se a parte para denominar o todo.

Em “Classificação dos signos”, servindo-se de estudos realizados por Adam Schaff sobre classificação, Fiorin apresenta o conceito de classificação de signo. Para o autor, embasado em Schaff, como anteriormente dito, a classificação dos signos abrange todo tipo de signo, ou seja, a junção de um plano de expressão a um plano de conteúdo e ao mesmo tempo busca respeitar as noções correntes dos termos utilizados para dar nomes aos tipos de signos, como símbolo, sinal, etc.

Neste tópico, o autor classifica os signos em naturais e artificiais (ou signos propriamente ditos) e apresenta a função que os signos artificiais possuem nas linguagens, ou seja, os signos verbais (interpretantes de linguagens) e os com expressão derivativa (signos lingüísticos).

Enfim, o autor transmite a idéia de que a área lingüística é uma particularidade simbólica, ou seja, as palavras criam conceitos e os mesmos criam a realidade e para finalizar reafirma o poder criador da linguagem que dá ao homem  a capacidade de ordenar o mundo e categorizá-lo e que a línguas são modos diferentes de interpretar o mundo, por isso, a importância da pesquisa Lingüística e das expressões, uma vez que esta se traduz na forma de entender a cultura, de compreender o homem na sua luta terrena.

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...NAS ASAS DO CONHECIMENTO.
Renée Vituri, Março/2008

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