Elogio da Palavra



RESUMO

 

ELOGIO DA PALAVRA - INTRODUÇÃO

 

BRETON, Philippe. Introdução. In: BRETON, Philippe. Elogio da palavra. Tradução: Nicolas Nyimi Campanário. São Paulo: Loyola, 2006. p.7-13.

 

A palavra é muito mais do que mero som ou uma seqüência lógica de pensamento. Está no âmago de nossa vida social e profissional, permeando todo o nosso cotidiano e até mesmo o nosso silêncio tem significado por causa da palavra.

Existe uma poder imenso nas palavras, mas poucos são os que têm consciência desse poder. Procuramos praticar tão corretamente o seu uso, que não raro, esquecemos da importância que assume em nossas relações com os outros e também com nós mesmos.

 É a palavra que nos liga aos outros, que nos liga a nós mesmos. Falamos a todo o tempo não somente com palavras físicas, mas também mentalmente, de forma que a palavra torna-se uma corrente magnética ocupando a maior parte de nosso tempo de consciência.

Seja na comunicação com o outro ou no diálogo interior a palavra ocupa lugar central na vida de um ser humano, pois é por meio desse instrumento que o indivíduo se expressa, argumenta, se informa e mais, interage com os outros e com o mundo. Escrita, falada, desenhada ou por meio dos inúmeros suportes oferecidos pelas novas tecnologias a palavra está a todo o momento em todos os lugares, assumindo desta forma uma dimensão muito mais ampla que a oralidade, a qual comumente é reduzida. Assumindo, apesar de seu comércio pelos inúmeros meios de comunicação, uma dimensão forte, humanista, democrática em que a comunicação é o meio e a palavra é o fim.

A palavra é anterior a comunicação e suas técnicas e muitas das dificuldades enfrentadas pelo mundo moderno estão ligadas à ausência da palavra ou, o que é pior, ao uso violento e dominador desse instrumento que justamente tem o poder de se opor à palavra do poder, tem o poder de ser a matriz de relações mais justas entre os seres humanos e de possibilitar uma posição crítica diante de toda forma de dominação e de soberania.

Breton afirma que (p.12) o desenvolvimento da palavra é o vetor essencial do desenvolvimento pessoal, da capacidade de agir sobre o mundo e de cooperar com os outros e do poder de fazer recuar a violência que está em nós e também a que está no outro.  

Conforme o autor (p.10), a palavra, que antes era primordialmente ritual, desperta na sociedade moderna um grande interesse em tomar consciência do verdadeiro poder de transformação dos homens, aos quais a palavra favoreceu e assume um caráter paradoxal. Pois, por um lado, a modernidade é o lugar da palavra e da comunicação.  Por outro lado, entretanto é freqüente a necessidade de calar ou mais que isso, falar para nada dizer. “Falem, mas calem-se” (p.10), esse é o verdadeiro problema da palavra no mundo contemporâneo. Mundo este, que  transforma a palavra em um meio de comandar e de dominar e que com muita freqüência priva o homem de seu uso. O que acontece pelo fato de que a palavra, uma vez libertada, representa força de mudança e possibilita que o indivíduo deixe de ser um destinatário passivo de um espetáculo e assuma o papel de ator, de protagonista em benefício de si próprio e da sociedade em que vive.

Conforme o autor é do desenvolvimento, da libertação e da capacidade da palavra de irrigar o corpo social que surgirão as grandes disposições que constituirão a sociedade contemporânea: democracia, verdadeiro “regime da palavra”; interioridade, que será a sede da palavra individual e mudança das normas de violência aceitável, na qual a palavra, enquanto “espaço de transposição” desempenhará papel crucial, exigindo que as sociedades reconheçam o lugar da palavra e dêem, a este poderoso instrumento, um estatuto cada vez mais importante, tornando o mundo um lugar mais agradável de  se viver.

Para finalizar, Breton (p.11) afirma que “a palavra é uma alternativa à violência do mundo”. Entretanto, salienta que deve ser livre, autêntica, respeitosa, agradável e principalmente preocupada com o outro. Conforme o autor o ideal normativo de uma palavra mais justa, mais simétrica, mais igualitária e mais autêntica, serve como medida para avaliar a palavra pública: as frustrações provocadas pela mídia que mente, pela publicidade que abusa, pelo político demagogo são produzidas de acordo com a medida da expectativa de uma palavra justa.

Neste sentido, diz o autor “essa esperança não é vã”. Porém, faz-se primordial que aceitemos, mesmo que seja um pouco, tornar-nos “militantes da palavra”.



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...NAS ASAS DO CONHECIMENTO.
Renée Vituri, Março/2008

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