Iniciação Científica.

A importância de um 

Projeto de Iniciação Científica 

para o aluno da Graduação


A elaboração e realização de um Projeto de Iniciação Científica é uma oportunidade impar de crescimento intelectual. Contribui de forma significativa com o processo de formação na graduação, prepara para o mundo da pós-graduação, possibilita um desenvolvimento contínuo do pensamento crítico, propicia o desdobramento de idéias cada vez mais coerentes e coesas, permitindo o aperfeiçoamento constante das ações, a formação de uma nova mentalidade, um olhar mais atento sobre pontos de vistas e opiniões já enraizadas e a conquista de novos horizontes.

“Eppur, la conoscenza si muove.” – “No entanto, o conhecimento se move.” – simbolizando a relatividade, a evolução e as infinitas possibilidades da construção do conhecimento humano. 

UNINOVE-Diretoria de Pesquisa/2006


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Resumo

VITURI. Renée Coura Ivo. As conseqüências do regime de progressão continuada nas práticas escolares: planos de ensino do ciclo II.  Relatório científico final. Diretoria de Pesquisa de Pós-Graduação do Centro Universitário Nove de Julho – UNINOVE. São Paulo, 2007.

 

Trata-se de um trabalho que busca refletir sobre as principais conseqüências das atuais políticas educacionais nas práticas escolares. A partir da realização de pesquisa qualitativa por meio de levantamento bibliográfico e documental e observações do cotidiano escolar, buscou-se compreender a constituição das práticas escolares por meio da análise dos planos de ensino, elaborados no período de 1985 a 2006, pelos professores do ciclo II (Ensino Fundamental II – 5ª a 8ª séries) de uma escola estadual de São Paulo, investigando as relações entre esses planos, a cultura da escola e as políticas educacionais que se propõem inclusivas, especialmente o regime de progressão continuada. O escopo é compreender o impacto do regime de progressão continuada sobre os conteúdos que compõem as disciplinas (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Físicas e Biológicas, História e Geografia) do ciclo II, considerando que a implantação deste regime sugere uma mudança na cultura escolar e conseqüentemente nos planos de ensino.  A análise dos referidos planos de ensino, principalmente a análise comparativa realizada entre os planos das disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e História e os livros didáticos das disciplinas em questão, permite sustentar que as mudanças ocorridas nos conteúdos propostos nos planos de ensino, ao longo dos últimos vinte anos, têm mais relação com os livros didáticos do que com a implementação do regime de progressão continuada. 

Palavras-chave: currículo planos de ensino cultura da escola progressão continuada- prática escolar.

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Considerações Finais

Considerações Finais

 

 

O conjunto de aspectos analisados permite identificar na “Escola”, a presença de um modelo escolar tradicional caracterizado por uma postura conservadora que se traduz em uma proposta de educação voltada para a valorização do conhecimento e do professor como portador desse conhecimento.

A análise dos planos de ensino não permite afirmar que a “Escola” pesquisada esteja despreocupada com o conhecimento elaborado e transmitido via conteúdos disciplinares, uma vez que a organização dos planos de ensino se realiza com enfoque específico no conteúdo a ser transmitido por meio das disciplinas escolares.  Na “Escola” as disciplinas são vistas ainda como indispensáveis instrumentos de sistematização de saberes e habilidades. Para os sujeitos da “Escola” pesquisada, o conteúdo transmitido por meio das disciplinas escolares continua sendo importante meio para a transmissão dos conhecimentos acumulados ao longo do tempo e que a sala de aula é lócus privilegiado de ensino.

Na concepção de alguns professores e principalmente na concepção da direção da “Escola”, a educação escolar parece se constituir basicamente em um processo institucional de transmissão de conhecimentos e de inclusão de valores socialmente aceitos. Uma característica que comprova tal sugestão pode ser observada, no fato de que, por meio de seu desenvolvimento histórico, a “Escola” vem mantendo o essencial: um plano de ensino que se organiza em disciplinas isoladas, delimitadas e estanques cujos conteúdos devem ser transmitidos em prazos convencionalmente estabelecidos (bimestre, semestre ou ano) e uma metodologia de ensino que se fundamenta na passagem de informações de professor para aluno.

As informações coletadas permitem afirmar, que a implantação do regime de progressão continuada, não gerou uma mudança na concepção em torno da valorização dos conhecimentos transmitidos pela “Escola” e nem em torno da organização do currículo. Na “Escola” a referência continua sendo os planos de ensino e não outras formas de organização curricular, inclusive nota-se uma postura atuante da Sra. Diretora quanto ao acompanhamento do trabalho docente, em especial ao cumprimento dos planos de ensino supramencionados.

A grade curricular expressa nos planos de ensino de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Físicas e Biológicas, História e Geografia, com enfoque específico no conteúdo a ser transmitido por meio das disciplinas escolares, sugere que a “Escola” dá continuidade, no


decorrer dos últimos vinte anos (1985-2006), a um ensino propedêutico com uma formação conceitual em todas as séries correspondentes ao ciclo II. Pode-se observar, na leitura dos documentos, a prioridade em oferecer uma educação acadêmica e intelectual, o que faz supor, que pelo menos aparentemente, a hipótese da desvalorização dos conhecimentos, como se apresentam nas disciplinas escolares, não se realiza na “Escola”.

É perceptível em muitos Planos de Ensino do ciclo II (Ensino Fundamental II – 5ª a 8ª séries) dos últimos vinte anos (1985-2006) a mera reprodução de ano para ano e a manutenção da concepção de que o percurso da aprendizagem deve se dar do simples ao complexo com exigência de pré-requisito. Os planos de ensino sugerem que o que a escola ensina durante a vida escolar é pré-requisito para as séries posteriores, ou seja, espera-se que uma etapa prepare o aluno para etapa seguinte. E, como bem afirma Sampaio (1997, p.69) “a seqüência dos pré-requisitos organiza o encadeamento dos conteúdos e a seriação. E esta, ao mesmo tempo, é garantida por esse encadeamento de pré-requisitos”.

Conclui-se que o regime de progressão continuada, enquanto pressuposto de organização do trabalho curricular da escola não provocou grandes mudanças nos planos de ensino elaborados pelos professores da “Escola” ao longo dos últimos vinte anos (1985 a 2006).

A análise dos referidos planos de ensino permite sustentar que as mudanças ocorridas nos conteúdos propostos nos planos de ensino, ao longo dos últimos vinte anos, têm mais relação com os livros didáticos do que com a implementação do regime de progressão continuada. 

Acredita-se poder dizer que, se a implementação do regime de progressão continuada provocou alguma interferência, esta pode estar muito mais na prática cotidiana dos professores do que na seleção e organização de conteúdos, como sugerem alguns depoimentos.

[...] sinceramente não é fácil [trabalhar com as diferenças]. Você trabalha com o aluno, assim...aquele aluno que dali dois minutos, pá, já termina, entrega tudo. Outros que assim: ah! professor...fica uns 10, 15, 20 minutos, ficam uma aula toda para fazer, outros não fazem. É difícil, é difícil. A gente tenta. O que eu tenho feito ultimamente, já é certo: avançar não adianta. Não adianta puxar e deixar a turma. Não adianta. Isso ai já foi descartado. Você tem que ver qual é a realidade dos alunos. Você dá uma analisada de uma forma geral e olha: isso acho que todo mundo entendeu. Você tem que acompanhar. Não adianta. Não adianta você ficar aqui na frente e não ter o contato. Principalmente nessa idade ai. Você não pode perder um minuto. Você não pode dar espaço para eles. Você tem que cobrar. Você fez filho? Não. Porque você não fez? Você tem que tá acompanhando. [...] 40 minutos de aula você tem que


fazer tudo isso. E não resolve mais você perguntar: quem entendeu? Todo mundo levanta a mão. Mentira. Quem não entendeu? Pode levantar a mão que eu sei que tem mais aluno. Eles têm vergonha de falar que não sabem. (Depoimento do professor Alves, Matemática, prestado a Mofredini: 2007, p.44)

 

Numa oitava série que eu tava dando para montar equação do segundo grau, então eu pedi que cada um pegasse o seu número e o do colega, então de um nº lá 9 e39 e então eu falei como é que ficou sua equação , então ele tem que somar e multiplicar os dois resultados finais eu dou a raiz e ele monta a equação: Ah! Professor, eu não sei multiplicar isso não. Então como é que fica? Um aluno de oitava série!Então o seu conteúdo vai caindo...Você deixa de dar algumas áreas que são importantes. Porque você tem que fazer a opção Qual é mais importante, o que ele vai usar?

 

O denominado regime progressão de continuada poderia até ser uma boa alternativa para a melhoria na qualidade da educação. Entretanto, tem se resumido na aprovação automática, ignorando a precariedade da rede em relação à infra-estrutura e a falta de um plano de carreira que valorize o professor.

As escolas não estão bem equipadas, a formação inicial e continuada dos professores está defasada, as condições de trabalho não são adequadas e os salários dignos para todos os trabalhadores da educação é uma realidade que parece distante. Outra falha está na forma autoritária pela qual a progressão continuada foi implantada. Não houve discussão com os professores da rede pública, nem pais nem alunos foram devidamente esclarecidos das mudanças que deveriam acontecer.

É possível afirmar que da forma como foi implantando e está se desenvolvendo, o regime de progressão continuada, não provocou grandes mudanças nos conteúdos propostos nos planos de ensino no decorrer dos últimos vinte anos. No entanto, os depoimentos acima sugerem que a relação entre professor e aluno foi permeada por uma série de incertezas que trazem conseqüências à prática educativa, reflexos da forma como as orientações gerais para a implementação do regime de progressão continuada foram impostas aos sujeitos docentes, cabendo-lhes apenas colocá-las em prática, jogando fora a certeza de que ensinar conteúdos não é mais tão importante quanto tornar o aluno independente e um verdadeiro “cidadão”, consciente e crítico.  O docente não é mais aquele que ensina e sim um facilitador da aprendizagem que precisa compreender que ninguém ensina nada a ninguém. A autoridade lhes é tirada e para alguns discentes é tida como inexistente e, para agravar ainda mais, todo o fracasso do aluno é lançado ao professor.


Os depoimentos e análise dos planos de ensino nos remetem ao mesmo tempo ao que se mantém e àquelas práticas que mudam em decorrência da implementação do regime de progressão continuada. Ao analisarmos os Planos de ensino evidenciou-se o que ainda se mantém. Nas palavras de Sarmento apud Teixeira (1999, p. 7) a implantação do regime de progressão continuada não considerou a cultura escolar existente e, especialmente a cultura própria dos docentes, o que provoca a manutenção e sugere à relativa autonomia a escola, que somente mudará sua identidade quando modelos compatíveis com o modo de ser da sua cultura forem propostos pelas autoridades educacionais.

Porém os depoimentos remetem ao que está em mudança. Remetem à questionamentos que, embora não se constituíram em objeto dessa pesquisa, merecem da nossa parte, a continuidade em pesquisas futuras pois, sugerem o quanto  a progressão continuada trouxe prejuízos à clientela escolar, desvirtuando a natureza de todo o processo, uma vez que muitos alunos vêm sendo aprovados sem o aprendizado necessário. A forma pela qual a progressão continuada foi estabelecida sugere que, ao contrário do que se esperava, que os alunos mais fracos, em vez de serem beneficiados pelo sistema, acabaram ainda mais marginalizados, resultando na produção de alunos que, embora analfabetos funcionais, são oficialmente aprovados pelo sistema.

Nos últimos anos as autoridades educacionais vêm impondo políticas que, conforme afirma Sacristán, desconsideram que a ação educativa situa-se na complexidade do processo educativo e da realidade contraditória, e “tem muito a ver com os usos, as tradições, as técnicas e as perspectivas dominantes em torno da realidade do currículo num sistema educativo determinado. (Sacristán: 2000, p.9). Ignoram que a prática escolar é muito mais do que a expressão do ofício dos professores, é um traço cultural compartilhado que tem sua origem em outras práticas que interagem com o sistema escolar. Sacristán (1999, p.91).

É preciso reconhecer a existência e a complexidade desta cultura que sobrepõe ao pedagógico e influência diretamente na prática escolar, pois, como bem expressa Monfredini envolvidos por uma cultura escolar os docentes tendem a manter determinadas práticas profissionais orientados por valores e finalidades historicamente construídas”. (2005, p.41).

Finalmente, corroborando com Adorno (1995) apud Miranda (2005, p.3) é razoável afirmar que as reformas efetivadas no século XX representam malogradas tentativas de explicar e solucionar os constantes problemas provenientes da escola moderna, que passa a ser identificada, por uma ampla parcela dos intelectuais da educação na atualidade, como tradicional e por isso mesmo inadequada a formação da nova geração e desintonizada com o que seriam as necessidades dos indivíduos e da sociedade do século XXI.

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Apresentações


III Encontro de Iniciação Científica e Seminário Nacional da Pesquisa
Centro Universitário Nove de Julho
01 e 02 de Dezembro de 2006


PRÊMIO:
Menção Honrosa
1o Lugar em Ciências Humanas


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III Colóquio Internacional de Políticas e Práticas Curriculares
Universidade Federal da Paraíba
12 a 14 de Novembro de 2007



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Agradecimentos


Agradeço este trabalho a todos àqueles que acreditam que a ousadia e o erro são caminhos para as grandes realizações. 

 

Agradeço e dedico este trabalho ao meu marido que incondicionalmente me apoiou. Dedico a ele, acima de tudo, meu afeto e meu amor.

Agradeço à Profa. Mestra Sandra Regina Gomes, por confiar em minha capacidade e por isso, ter me indicado a fazer este trabalho.

Agradeço a Profa.Dra. Ivanise Monfredini, minha orientadora. Pessoa competente, inteligente, fantástica, divertida e acima de tudo humana. Foi uma honra para mim ter contado com a sua confiança e com seu alto nível de exigência em todos os passos desta caminhada.

 Agradeço ao Prof.Dr. Alfredo Ribas, grande referência intelectual, pelo carinho, compreensão e disposição em todos os momentos em que me senti perdida e desorientada. Sinceramente, sem tal apoio e colaboração, não conseguiria ter chegado aonde cheguei.

Agradeço a Profa. Mestra Wania Cecília Sacco, grande exemplo de profissionalismo e dedicação. Não fosse seu poder de convencimento, sua compreensão, seu incentivo e amor ao que faz, há muito eu já teria desistido.

Agradeço a Profa.Dra. Maria Elena Ortega Ortiz Assumpção pelas preciosas correções e contribuição. Acima de tudo pela incrível paciência.

Ao Prof.Dr. Altair Bordoni pela valiosa ajuda no início desse projeto. Embora não nos conheçamos pessoalmente não posso deixar de agradecê-lo.

A todos os outros professores que espontaneamente me cederam preciosos minutos de seu tempo para colaborar no desenvolvimento deste trabalho.

Agradeço a Viviane Almeida, da Pós Graduação do Centro Universitário Nove de Julho, pela prontidão e incentivo.

Agradeço a Lolita Andrade Leal Dantas, da Diretoria de Ensino pela disponibilidade e generoso empenho em me atender.

Agradeço a Sra. Diretora da “Escola”, por ter aberto as portas da instituição para que as pesquisas fossem realizadas. Agradeço também aos funcionários que me receberam com muito carinho.

Agradeço a Sra. Conceição, funcionária do Centro de Referência em Educação Mário Covas, por, com imensa compreensão me disponibilizar informações preciosas que fizeram parte da composição deste projeto.

Agradeço meu pai e minha mãe, principalmente pelo amor. Agradeço também, pela educação, pela formação, pelos princípios e valores que para mim passaram.

Agradeço ao meu irmão Ronan pelas preciosas contribuições e a minha irmã Ivin, pela fé que sempre teve em minha capacidade de vencer.

Agradeço a minha tia Amélia Coura que inicialmente me acompanhou e que me fez realmente acreditar que eu era capaz.

Agradeço ao Centro Universitário Nove de Julho pela oportunidade e pela bolsa concedida.

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...NAS ASAS DO CONHECIMENTO.
Renée Vituri, Março/2008

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