RESUMO
Gênero, Sexualidade e Discriminação
SILVA, Vivian Batista da; LUGLI, Rosario Genta ; CATANI,
Denice Barbara; SOUSA, Cynthia Pereira de. Gênero,
sexualidade e discriminação. 1. ed. São Paulo: Secretaria Municipal de
Educação da Prefeitura de São Paulo - FAFE, 2005. v. 2.
Por meio da reflexão sobre atitudes e
comportamentos que envolvam relações de gênero, discriminação e à sexualidade A
proposta principal do texto é fornecer elementos para transformar as práticas
de ensino, desconstruir preconceitos e romper o ciclo de sua reprodução pela
escola.
Quando se discutem relações de gênero há uma
grande tendência de limitá-la apenas ao biológico, a diferença biológica entre
homem e mulher para justificar a desigualdade de direitos e as limitações às
possibilidades de trabalho e de vida social para as mulheres, o que além de
representar um grande problema é inaceitável, pois a dimensão biológica não é o
elemento mais importante para compreender a vida social e as formas culturais
pelas quais se organiza a relação entre os sexos.
O
conceito de sexualidade
foi inventado no final do século XVIII, quando se
instauraram contornos mais definidos na esfera pública e na esfera privada, ao
mesmo tempo em que o papel da família passou a ser valorizado, estabelecendo uma
nítida diferenciação entre os papéis sexuais atribuídos a homens e a mulheres,
o que
levou a mulher ao dever de ocupar os lugares de esposa e mãe e ao homem
concebeu uma posição destacada na hierarquia familiar e nas ocupações
políticas.
Criou-se
em torno da mulher uma imagem de devoção, associando-lhe ao espaço doméstico e
identificando-a, assim, à dimensão da vida familiar e privada. Observa-se nesse
momento um processo de segregação, de maior divisão das tarefas e de espaços na
sociedade de um modo geral.
Com
a Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII o papel da mulher
começou a ganhar outros contornos. A absorção do trabalho feminino pelas
indústrias, como forma de baratear os salários, inseriu definitivamente a
mulher na produção, que passou a ser obrigada a cumprir longas jornadas de
trabalho em condições insalubres e com um salário até 60% menor que o dos
homens.
Importante
considerar que o bom exercício do papel de esposa, de dona de casa e de mãe
eram virtudes irradiadas da burguesia para as camadas operárias, que adotavam
tais idéias, entretanto, conforme seus próprios objetivos e vivências, pois
suas condições de vida obrigavam-nas as jornadas intensas de trabalho nas
fábricas, não permitindo, portanto, dedicação exclusiva à família,
O
enaltecimento da maternidade e as representações das mulheres são ampliadas e
reforçadas no final do século XIX, encontrando fortalecimento nos discursos
médicos, educacionais, políticos, etc.
Somente
a partir do século XX é que a condição feminina começa a se modificar.
Gradativamente, ainda que a quebra da delimitação de funções não fosse vista
por todos como devida, a mulher começa a participar da vida em sociedade,
encontrando, por meio de muita luta, os seus espaços e conquistando os seus
direitos como cidadãs.
Muitos viram na pretensão feminista uma descaracterização do ser feminino, uma masculinização,
como se a mulher pretendesse exibir predicados masculinos, repudiando os
femininos.
Ao estudar a história é interessante observar como os fatores culturais impõem certos papéis para os homens e outros para as mulheres, influenciando e determinando a forma como homens e mulheres se vêem e como se relacionam uns com os outros, levando a incorporação de hábitos, costumes e atitudes, que correspondem exatamente à expectativa do momento histórico em que se vive.
A
história da moral social é tão antiga quanto à da humanidade, variando o que se
considera socialmente certo ou errado conforme os tempo e lugares.
O
sexismo foi já amplamente superado nas esferas públicas e legais, no entanto,
ainda há uma desigualdade muito grande, que é como se houvesse uma moral para
homens e outra para mulheres.
No
âmbito das relações de gênero estamos muito distantes de alcançar uma equidade
moral. Há muito que se fazer antes que se possa declarar que homens e mulheres
estão em verdadeira relação de igualdade, pois o funcionamento da sociedade, em
pleno século XXI, ainda obedece a uma lógica masculina que ignora as
peculiaridades femininas.
Nesse
contexto de extremo machismo a homossexualidade é um tema ainda muito difícil
de ser tratado com serenidade por aqueles que se dispõe a falar sobre a questão.
E,
apesar de todo o espaço e abertura que vem ganhando nos meios de comunicação, a
homossexualidade continua a ser um tema polêmico e no âmbito escolar,
simplesmente parece ser um problema que não existe, pois quase sempre é “varrido
para debaixo do tapete”, sendo desta forma condenado ao silêncio e à
invisibilidade. Muitos são os profissionais da educação, que moldados por uma
sociedade machista, sentem-se pouco a vontade para trabalhar com o tema e menos
a vontade ainda para lidar com as situações práticas que envolvem a questão da
homossexualidade. Para muitos a homossexualidade é vista como doença, como
desvio de conduta diante do que é considerado normal para a sociedade, ou seja,
diante do padrão dominante e hegemônico em termos de sexualidade.
Um
outro aspecto da questão envolve professores homossexuais, o que pode gerar
reações extremas por parte dos pais desses alunos que temem por uma influência
negativa na orientação sexual de seus filhos. Diante de uma realidade assim
complexa é preciso que o diretor tenha cautela no agir, não bastando, nesse
caso, uma atitude de respeito em relação ao professor, pois as atitudes preconceituosas
e as pressões exercidas pelos pais são determinantes na hora da demissão. Por
outro lado, a demissão desta forma determinada, fere os princípios
constitucionais do ser humano.
Traçadas as considerações iniciais é interessante perceber que assim como homens e mulheres buscam corresponder às expectativas da sociedade em relação à incorporação de comportamentos desejados para a época, as crianças, meninos e meninas, procuram corresponder às expectativas dos adultos com relação aos comportamentos adequados e, a partir da imitação, aprendem a agir de modo socialmente aceitável.
Diante
de todo o contexto, a grande questão que se coloca é justamente a medida do “socialmente
aceitável”. O que é socialmente aceitável para meninos e para meninas?
Assume-se
hoje que meninos e meninas devem ser tratados da mesma forma. Entretanto, na
prática, isso está longe de acontecer, pois, por exemplo, para meninos é
permitido um certo nível de desorganização. Já para as meninas essa
desorganização é mal vista. Meninos brincam de carrinho e meninas de boneca;
meninos não choram, enquanto meninas dão escândalo.
Mais
do que determinar o que os meninos e as meninas podem ou não podem fazer, os
educadores devem estar atentos para a necessidade de trabalhar com conceitos acerca
do que são as relações de gênero, do que é ser homem, do que é ser mulher,
abarcando as ansiedades e as curiosidades das crianças, não enfocando apenas as
informações ou noções relativas à anatomia e a fisiologia do corpo humano, como
comumente vem acontecendo. Mas também e principalmente, as questões culturais,
afetivas e sociais contidas nesse mesmo corpo.
Deve-se
discutir os papéis sociais de homens e de mulheres, com uma séria reflexão
sobre as oportunidades de cada um para estudar, trabalhar, bem como as suas
funções no sustento do lar ou na educação dos filhos.
É
durante a vida escolar que a criança atravessa um período de descobertas e de
transformações, no qual a sua identidade sexual vai se construindo e nesse
processo, o seu direito a intimidade deve ser reconhecida. Faz-se primordial
que a escola e seus educadores respeitem o direito à intimidade e o tempo
diferenciado de cada indivíduo no processo de elaboração das questões com
relação ao sexo, pois sabe-se que as crianças, a respeito da sexualidade,
enfrentam questões muito significativas para a subjetividade, na medida em que
se relacionam com o conhecimento das origens de cada um e com o desejo de
saber.
A
sexualidade é parte integrante do ser, é algo que se aprende e que se exercita
na sociedade. Por isso, é fundamental, na escola, a oferta de um espaço em que
as crianças e jovens possam esclarecer suas dúvidas, satisfazer as suas
curiosidades e continuar formulando novas questões sobre sexualidade, o que
contribui para o alívio de ansiedades e tensões, que muitas vezes interferem no
aprendizado dos conteúdos escolares.
Para
isso, a educação sexual deve ser realizada considerando a relação entre sexo e
cultura, deve ser responsabilidade de todo o corpo docente e faz-se primordial
que se procure conscientizar o aluno do significado da relação sexual e suas
implicações, que se procure mostrar valores, direitos, códigos de convivência e
que a homossexualidade independe da classe social, é uma opção de cada um.
pegue uma
carona....
...NAS ASAS DO CONHECIMENTO.
Renée
Vituri,
Março/2008
pegue uma
carona....